Segunda-feira, 25 de agosto de 2008, 09h05

Funarte planeja a reabertura do TBC em São Paulo

AE


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Um projeto da Fundação Nacional de Artes (Funarte) pretende reabrir o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), palco da lendária companhia do empresário italiano Franco Zampari, um dos patronos da profissionalização do teatro nacional. Diferentemente de outras tentativas de reabertura - o TBC já fechou e reabriu pelo menos quatro vezes desde que deixou as mãos de Zampari, em 1964 -, a idéia da Funarte é manter somente a sala principal, de 370 lugares, para encenação de peças. Nos outros três espaços, ficaria a Biblioteca Jenny Klabin Segall, maior acervo especializado em artes do espetáculo do País, atualmente instalada no Museu Lasar Segall.



"As duas instituições serão valorizadas. A biblioteca procura um espaço nobre para que possa crescer e o TBC, com a importância que tem, simplesmente não pode ficar sem revitalização", disse o presidente da Funarte, Celso Frateschi. Após avaliação da Caixa Econômica Federal, finalizada há duas semanas, a fundação enviou proposta de compra do teatro a Magnólia do Lago Mendes Ferreira, proprietária do TBC desde 1982 - os valores, porém, não foram revelados. "A fundação está confiante de que o projeto terá sucesso. Trabalhamos com a expectativa de inauguração do TBC no final de 2009", disse Frateschi.



O projeto tem apoio do Ministério da Cultura, que está elaborando parecer jurídico para desvincular a biblioteca do museu, passando a administração para a Funarte. Caso o negócio se concretize, a nova configuração do TBC vai se aproximar do projeto original. "A Sala Assobradado servia para os ensaios, a Sala Porão era a marcenaria e a Sala Repertório, o guarda-roupas do teatro", explica Alberto Guzik, autor do livro ''TBC: Crônica de um Sonho'', que trata do primeiro período do teatro, entre 1948 e 1964.



Nessa época, foram levadas aos palcos do TBC 144 peças, vistas por quase 2 milhões de pessoas. Foi lá, no prédio tombado da Rua Major Diogo, na Bela Vista, em São Paulo, que despontaram carreiras de sucesso, como as de Cacilda Becker, Tônia Carrero e Paulo Autran. "O teatro pode se transformar em um centro de referência das artes cênicas, com o espaço que sempre teve para espetáculos e também para pesquisa, agora com a biblioteca", afirma Guzik.



A biblioteca hoje instalada no Museu Lasar Segall, na Vila Mariana, zona sul, tem um acervo de 2 mil periódicos - 200 deles ainda correntes - e 20 mil livros, entre outros itens, sobre teatro, ópera, dança, cinema, fotografia, rádio e televisão. O acervo ocupa uma área de 385 m². Percorrendo os corredores apertados da biblioteca, não é difícil encontrar raridades - em armários no setor de teatro, por exemplo, ficam cerca de 2.700 peças, muitas delas inéditas, originais e impressas em papel mimeografado. Também estão lá periódicos nacionais do início do século 20 - mais de 2 mil exemplares das revistas A Scena Muda, Cinearte e Fon-Fon, entre outras. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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