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História das Copas do Mundo: México - 1986

01 de junho de 2010 | 14h 18
José Roberto Gomes Júnior - Território Eldorado
ReproduçãoReproduçãoDiego Maradona ergue taça e é carregado após conquista da Copa

Com a “Mão de Deus”

O México, em 1986, foi o primeiro país a sediar uma Copa do Mundo pela segunda vez (a primeira havia sido em 1970). Só que a mesma nação que vira o triunfo do Brasil dezesseis anos antes, assistiu, na década de 80, à arte de Diego Armando Maradona e ao bicampeonato da Argentina.

O direito de sediar o torneio duas vezes veio após a desistência da Colômbia, que passava por problemas financeiros. E quase que os mexicanos também não conseguiram realizar o mundial: um forte terremoto em 1985 deixou 20 mil mortos no país, mas os estádios permaneceram de pé e tudo ficou pronto para o ano seguinte.

Diferente das edições anteriores, a FIFA optou por não realizar uma segunda fase em grupos, mas sim em uma série de mata-matas, que começavam a partir das oitavas-de-final. Assim, os quatro melhores terceiro colocados de cada quadrangular conseguiam passagem à outra etapa, completando as dezesseis seleções necessárias para as disputas.

A Copa do Mundo de 1986 teve início no dia 31 de maio com um empate em 1 a 1 entre Itália e Bulgária. A Squadra Azurra, como em 1982, não teve uma primeira fase digna de aplausos, da qual terminou em segundo lugar no Grupo A. Chegou a empatar em 1 a 1 com a Argentina e só se classificou após derrotar a fraca seleção da Coréia do Sul por um apertado 3 a 2.

A primeira posição do quadrangular ficou para os argentinos, que venceram os coreanos por 3 a 1 e os búlgaros por 2 a 0 (gols do atacante Jorge Valdano e do meia Jorge Burruchaga).

Pelo Grupo B, Bélgica, México e Paraguai garantiram passagem à segunda fase à frente do estreante Iraque.

Já no Grupo C ocorreu a maior goleada daquele mundial, quando a União Soviética balançou as redes da Hungria seis vezes. A França, que ainda contava com o talento de Michel Platini, também fez uma boa primeira fase e terminou em segundo naquele quadrangular, atrás dos soviéticos.

A seleção canarinho ainda possuía um grande excrete: Alemão, Careca, Casagrande, Falcão, Muller, Sócrates e Zico eram alguns dos nomes que disputavam pelo Grupo D a Taça FIFA. Treinados ainda por Telê Santana, os jogadores conseguiram vitórias sobre a Espanha de Emilio Butragueño (1 a 0), mesmo placar aplicado na Argélia. Já a vitória por 3 a 0 em cima da Irlanda do Norte garantiu à seleção canarinho o primeiro lugar no grupo, deixando a outra vaga para os espanhóis.

No Grupo E, a estreante Dinamarca surpreendeu a todos ao vencer os três jogos, com direito à goleada sobre o Uruguai (6 a 1). Além disso, faria 1 a 0 na Escócia e deixaria a Alemanha Ocidental perdida em campo ao derrotá-la por 2 a 0. A excelente campanha inicial rendeu à seleção escandinava o famoso apelido “Dinamáquina”.

Finalmente, pelo Grupo F, uma surpresa talvez maior ainda: o Marrocos, o primeiro país africano a passar à segunda fase de uma Copa do Mundo na história. Após empatar em 0 a 0 com Polônia e Inglaterra, os marroquinos derrotaram Portugal por 3 a 1, garantindo a incrível primeira posição no quadrangular, à frente dos ingleses e dos poloneses.

 
Mascote da Copa de 1986, "Pique"; pôster oficial do Mundial (Reprodução)

Porém não iriam além das oitavas, quando o meia Lothar Matthaeus marcou para a Alemanha Ocidental comandada por Franz Beckenbauer aos quarenta e três minutos do segundo tempo. Placar final: 1 a 0.

A sensação “Dinamáquina” também não conseguiu passagem para as quartas, sendo derrotada por 5 a 1 pela Espanha.

Já os canarinhos, com gols de Sócrates, Josimar, Edinho e Careca, passaram fácil pela Polônia.

Os argentinos também carimbaram lugar nas quartas ao mandarem de volta para casa seus vizinhos uruguaios por 1 a 0 (gol de Pedro Pasculli), assim como os ingleses eliminaram os paraguaios por 3 a 0.


Seleção argentina na Copa do Mundo de 1986: sob o comando de Maradona (Reprodução)

Já os italianos tricampeõs mundiais decepcionaram sua torcida ao perderem de 2 a 0 para a França, com gols de Michel Platini e Yannick Stopyra.

Por fim, a União Soviética foi eliminada após ser derrotada por 4 a 3 pela Bélgica, em um dos jogos mais emocionantes daquela edição, e o México derrubou a Bulgária por 2 a 0, em uma das melhores campanhas do país da América do Norte.

Os melhores jogos da Copa, no entanto, foram disputados nas quartas-de-final. Tão disputados que três deles precisaram de pênaltis para se descobrir o vencedor.

A primeira partida, realizada no dia 21 de junho, apresentou duas grandes seleções a um público de 65 mil pessoas no Estádio Jalisco em Guadalajara: Brasil e França.

Aos dezessete minutos, Careca deu à seleção nacional um sopro de esperança ao balançar as redes adversárias, mas Michel Platini levaria o jogo ao empate ainda no primeiro tempo. Na última etapa, o goleiro francês Bats salvaria seu país ao defender um pênalti batido por Zico. E o Brasil perderia sua chance de chegar à semifinal.

A partida foi para a prorrogação e não saiu de 1 a 1, o que requereu os pênaltis. Apesar do erro de Michel Platini nas cobranças, Sócrates e Júlio César também não converteram, e, com isso, a seleção canarinho deu adeus à Copa do Mundo de 1986.


Um dos maiores craques de todos os tempos, Platini levou a França à semifinal (Rep.)

Outras dois países que deixaram o Mundial nas quartas foram México e Espanha, que perderam respectivamente para Alemanha Ocidental e Bélgica, respectivamente.

Já  Argentina e Inglaterra protagonizaram o melhor jogo daquela edição do campeonato, com Maradona se mostrando “metade anjo, metade demônio”, como alcunharia o jornal francês L’Équipe após a partida.

Disputado no Estádio Azteca, na Cidade do México, o primeiro gol “hermano” saiu, na realidade, das mãos do astro argentino, que deu um toquinho na bola com a mão antes que o goleiro inglês Peter Shilton pudesse afastá-la. Maradona diria mais tarde que o gol fora feito com a “Mão de Deus”.

O mesmo “Dieguito” iria encantar o mundo minutos depois ao sair com a bola do meio de campo, driblar cinco adversários, incluindo Shilton, e balançar as redes adversárias.

Lineker, que seria o artilheiro daquele Mundial com seis tentos, faria ainda um gol de honra para a Inglaterra. Mas não adiantou: os ingleses estavam eliminados.


Maradona empurra bola para o gol com a mão, ou melhor, com a "Mão de Deus" (Rep.)

E os argentinos garantiram vaga na final após mandarem para casa a surpreendente Bélgica nas semifinais, enquanto os alemães, mais um vez, tentariam o tricampeonato depois de vencerem a França por 2 a 0, destruindo os sonhos da grande geração de Michel Platini, que terminaram o Mundial em terceiro colocados (4 a 2 sobre a Bélgica).

A decisão foi realizada no dia 29 de junho no Estádio Azteca para mais de 114 mil torcedores. A Argentina abriu o marcador logo aos vinte e três minutos com José Brown e ampliaria a vantagem aos onze do segundo tempo com Valdano. A força alemã não se intimidou e conseguiu o empate com Karl-Heinz Rummenigge e Rudi Voeller. Jorge Burruchaga, entretanto, colocaria um ponto final na disputa, dando a vitória aos argentinos.

A Argentina de Diego Armando Maradona se sagrava bicampeã mundial.


Veja aqui os resutlados de todos os jogos da Copa do Mundo de 1986.

Campanha brasileira na Copa do Mundo de 1986:

Primeira Fase / Grupo D:
BRASIL 1 X 0 ESPANHA
BRASIL 1 X 0 ARGÉLIA
BRASIL 3 X 0 IRLANDA DO NORTE

Oitavas-de-final:
BRASIL 4 X 0 POLÔNIA

Quartas-de-final:
BRASIL 1 (3) X (4) 1 FRANÇA

Trio de artilharia:

Gary Lineker (ING) – 6 gols
Emilio Butragueno (ESP) – 5 gols
Careca (BRA) – 5 gols

Classificação final:

1º - ARGENTINA
2º - ALEMANHA OCIDENTAL
3º - FRANÇA
4º - BÉLGICA
5º - BRASIL
6º - MÉXICO
7º - ESPANHA
8º - INGLATERRA
9º - DINAMARCA
10º - UNIÃO SOVIÉTICA
11º - MARROCOS
12º - ITÁLIA
13º - PARAGUAI
14º - POLÔNIA
15º - BULGÁRIA
16º - IUGOSLÁVIA
17º - URUGUAI
18º - PORTUGAL
19º - HUNGRIA
20º - ESCÓCIA
21º - CORÉIA DO SUL
22º - ARGÉLIA
23º - IRAQUE
24º - CANADÁ

Assista aqui ao vídeo oficial da FIFA sobre a Copa do Mundo de 1986.